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Crónica de Pedro Gil Vasconcelos - Adversidade x Oportunidade

Tenho o hábito de ver o copo meio cheio e se é certo que há fatores que são inultrapassáveis, é certo também que de tempos difíceis como os que atravessamos, saem normalmente grandes soluções.
O desporto parou e nesse panorama o Ralicross não é exceção. A FPAK ditou a suspensão das provas – e de outra forma não poderia ter procedido – e os clubes, pilotos e acho mesmo que posso dizer todos nós aceitamos o facto: há um objetivo maior que passa por derrotar o COVID 19.

Numa altura em que se começa a falar de regresso à normalidade – a possível, acrescento – será também a altura de começar a pensar no como regressar, sempre sabendo que enquanto as regras não forem definidas, não há jogo.
O que me parece também, é que as prioridades têm que ser dadas às provas internacionais e aos Campeonatos Nacionais. Havendo esta prioridade, há que ver quais são os têm condições de arrancar e o Ralicross está entre estes, sem dúvida.

As questões da adversidade: Se o campeonato arrancar mais cedo, poderá haver público nas bancadas? Quanto? 
E se as provas se realizarem à porta fechada, que clubes vão aceitar prescindir da bilheteira? Recordo que a maioria das provas do PTRX junta mais público que a maioria dos jogos de futebol (com exceção dos cinco maiores clubes) e que a bilheteira é um fonte de receita incontornável para a maioria dos organizadores.
Quantos pilotos vão ter capacidade económica de realizar as provas que faltam e já agora, não menos importante, quantos preparadores se vão “aguentar” neste período? 
Os preparadores ficam muitas vezes fora das tomadas de decisão e são pedras basilares da modalidade. Nesta altura, muitos já estão necessitados de retomar a atividade como de pão para boca.

Agora as questões das oportunidades: Antes de mais há muita gente a sentir falta da emoção, do fim-de-semana passado nas corridas, do rever os amigos, de fazer coisas. Esta parece-me a maior de todas e por isto entendo que o sucesso das próximas provas é garantido. Se o campeonato for encurtado, essa garantia será maior, pois a questão financeira fica mais fácil para os pilotos.
Logicamente que a questão da proteção terá que ser acautelada, com distanciamento, forte redução do número de pessoas no paddock e implementação do uso de máscaras, luvas, viseiras, etc. Realço que a redução de pessoas no paddock é importante.
O Ralicross, tal como a velocidade, não é disputado em estrada aberta o que permite, por exemplo, controlar a entrada de público e manter a segurança das provas com meios humanos e materiais muito inferiores em números. Recordo que as pistas são curtas e o espaço de competição reduzido o que permite manter um nível de segurança elevado e eficiente, com um número de meios reduzidos. Ou seja, o Ralicross não “consome” ambulâncias e forças policiais.
Por outro lado, em tantas outras modalidades, há tantos outros pilotos parados e com vontade de correr. Acredito que as super-especiais e alguns ralis regionais poderão ter dificuldade em regressar, pelas condicionantes mencionadas acima. Esses pilotos vão ter no ralicross, uma opção válida para correrem. Já pensaram nisto?
Alguns dos R5, ou dos Mitsubishi Lancer que poderão ficar parados, vão ter no Ralicross uma oportunidade de competirem. Pilotos de SSV que poderão encontrar no PTRX uma opção. Pilotos de carros de duas rodas motrizes, que vão poder participar pois têm várias opções onde os carros se integram, graças ao regulamento técnico do Ralicross.
Desta adversidade, podem resultar ótimas oportunidades para o Ralicross. Temos tudo para que assim seja, temos boas perspectivas para todas as categorias e mesmo a Supercar, pode desta forma regressar à “gloria” que se deseja, e toda a modalidade poderá receber uma transfusão de sangue novo. Não duvido de que quem participe vá ficar “viciado”.
Venham de lá as corridas, mas até lá #FiqueEmCasa